TECAD: a segunda fase é uma cirurgia real, no hospital do próprio candidato, com prazo de quatro meses

O Edital nº 2530 do CBCD é o único entre as provas de título do aparelho digestivo em que a avaliação final acontece dentro de uma sala de cirurgia — e o relógio começa a correr no dia em que sai o resultado da primeira fase.

O Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva publicou o Edital nº 2530, que rege o exame para obtenção do Título de Especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo (TECAD). A prova teórica e teórico-prática está marcada para 19 de novembro de 2026, às 14h, em formato presencial, dentro da Semana Brasileira do Aparelho Digestivo (SBAD). As inscrições seguem abertas até 02 de outubro de 2026, às 23h59 — é a única das cinco provas de título do aparelho digestivo de 2026 que ainda aceita inscrição; Coloproctologia, Hepatologia, Gastroenterologia e Endoscopia já encerraram a sua.

O que distingue o TECAD não está no dia 19 de novembro, e sim no que vem depois. Aprovado na primeira fase, o candidato entra em uma segunda fase que não tem equivalente em nenhuma outra prova de título do país: precisa realizar uma cirurgia real, no hospital em que atua, avaliada presencialmente por três Membros Titulares do CBCD, dentro de um prazo de até quatro meses contados da divulgação do resultado. Este texto se dirige ao cirurgião geral que pretende prestar o TECAD em 2026 e ainda organiza o próprio calendário — e, sobretudo, a quem ainda não se inscreveu.

Na análise curricular do TECAD, só são considerados válidos os certificados emitidos nos últimos 5 anos, com pontuação máxima de 100 pontos conforme o Anexo II.

O TECAD tem duas fases, e a de 19 de novembro é apenas a primeira

O exame do Edital nº 2530 é composto por uma primeira fase escrita, aplicada presencialmente no dia 19 de novembro de 2026, às 14h, durante o SBAD, e por uma segunda fase prática, executada depois, em ambiente hospitalar.

Na prática, isso significa que a preparação para o TECAD não se encerra com a saída do candidato da sala de prova. Enquanto nas demais verticais do aparelho digestivo a aprovação é decidida no conjunto de provas aplicadas em data única, aqui a aprovação na primeira fase apenas habilita o candidato a ser avaliado operando.

A primeira fase soma três notas com pesos diferentes e dois pisos eliminatórios

A composição da primeira fase está descrita no edital em três componentes:

ComponenteFormatoNota mínimaPeso
Prova teórica50 questões, 2 horas65
Prova teórico-práticaCasos clínico-cirúrgicos com anamnese, exames e imagens cirúrgicas54
CurrículoAnálise documental, não eliminatório1

A aprovação na primeira fase exige média ponderada igual ou superior a 6, respeitados os dois pisos: 6 na teórica e 5 na teórico-prática.

Ou seja: o currículo entra na conta, mas com peso 1 e sem poder eliminar; e uma nota alta na teórica não compensa uma teórico-prática abaixo do piso, porque cada componente tem corte próprio. Um ponto que costuma gerar dúvida: o edital descreve a teórico-prática como casos clínico-cirúrgicos com anamnese, exames e imagens cirúrgicas — o raciocínio exigido é o da condução de um paciente real, não o de uma arguição isolada de conteúdo.

A segunda fase é uma cirurgia real, avaliada por três Membros Titulares do CBCD

Aprovado na primeira fase, o candidato realiza uma cirurgia no hospital em que já atua, com três Membros Titulares do CBCD presentes como avaliadores. O próprio candidato indica três possíveis intervenções e três avaliadores. Os avaliadores indicados precisam ser Membros Titulares do CBCD, estar adimplentes com o Colégio e não ter parentesco com o candidato.

Vale reforçar: são três indicações de cada lado porque a agenda cirúrgica e a agenda dos avaliadores precisam coincidir dentro do prazo. Na prática, isso significa que a escolha das três intervenções não é um formulário burocrático — é uma decisão sobre quais procedimentos o candidato tem volume, equipe e sala para realizar com previsibilidade nos meses seguintes ao resultado, e sobre quais titulares do CBCD estão geograficamente e profissionalmente ao seu alcance.

O prazo de quatro meses começa a correr com a divulgação do resultado da primeira fase

O edital fixa até quatro meses, contados da divulgação do resultado da primeira fase, para que a cirurgia da segunda fase aconteça.

Ou seja: o candidato não escolhe quando começa a contagem. Ela começa sozinha, no dia do resultado, e dentro dela precisam caber a confirmação dos três avaliadores, a obtenção da autorização institucional, o agendamento de uma cirurgia com indicação clínica legítima e a convergência de todas as agendas em uma mesma data. Quem começa a montar essa cadeia depois de saber que passou trabalha com uma janela consideravelmente menor do que quatro meses.

A autorização institucional depende de terceiros e tem prazo próprio

A realização da cirurgia avaliada exige autorização do Diretor Clínico do hospital, emitida em papel timbrado da instituição, e a comunicação deve ser feita com 3 dias úteis de antecedência.

Um ponto que costuma gerar dúvida: a autorização não é do candidato sobre si mesmo, e sim da instituição sobre a presença de três avaliadores externos em um procedimento assistencial. Na prática, isso significa envolver diretoria clínica, corpo clínico e, dependendo do serviço, a gestão do centro cirúrgico — atores que operam em prazos institucionais, não em prazos de candidato. Vale reforçar: o requisito dos 3 dias úteis é um piso de comunicação, não um cronograma de preparação.

O temário tem 47 pontos e a bibliografia, 8 obras

O Edital nº 2530 lista 47 pontos de temário e 8 obras de referência, entre elas Pinotti, Coelho, Gama-Rodrigues, Rohde, Cameron (Current Surgical Therapy, 14ª edição, 2023) e Maingot’s (13ª edição, 2019).

Vale reforçar: o edital não publica distribuição temática nem número de questões por eixo — isso não existe em nenhum dos editais das cinco verticais. O que existe é o conteúdo programático oficial, e é sobre os eixos desse conteúdo programático que a preparação se organiza. Como os mesmos 47 pontos sustentam a teórica, a teórico-prática e o raciocínio exigido na cirurgia da segunda fase, estudar por recorte estreito deixa o candidato exposto justamente na etapa em que não há alternativa de resposta para marcar.

A inscrição fecha em 02 de outubro e não há outra prova no ciclo 2026

As inscrições do Edital nº 2530 vão até 02 de outubro de 2026, às 23h59. A taxa é de R$ 1.800 para associado quite e R$ 3.600 para os demais. A especialidade-base exigida é Cirurgia Geral.

Na prática, isso significa que a decisão sobre 2026 se encerra em outubro, não em novembro. As outras quatro provas de título do aparelho digestivo já fecharam inscrição: Coloproctologia (SBCP), Hepatologia (SBH), Gastroenterologia (FBG) e Endoscopia (SOBED). Quem perder 02 de outubro não perde uma prova — perde o ciclo inteiro, incluindo a segunda fase que só existe para quem passou pela primeira.

Elegibilidade: dois pré-requisitos, as vias de comprovação e três filtros

Todos os editais das cinco verticais exigem dois pré-requisitos: uma especialidade-base e a especialidade-alvo. O número de vias de comprovação varia: SOBED, FBG, SBCP e CBCD admitem três — residência credenciada pela CNRM/MEC, programa de formação credenciado pela sociedade competente, ou atuação prático-profissional —; a SBH admite duas em cada bloco.

Três filtros derrubam a maior parte das candidaturas antes da prova: o piso de 2.880 horas anuais de carga horária; a exigência de vaga oficial credenciada — no caso do CBCD, como também em SOBED e SBCP; e o que não conta como atuação.

O Edital FBG nº 1364 é o que mais detalha o que não é aceito como atuação prático-profissional: trabalho voluntário; contrato de locação de sala ou consultório como prova de vínculo; docência ou exercício fora de ambiente hospitalar, clínica ou posto de saúde; regimes de sobreaviso; estágios e pós-graduação lato sensu não credenciados pela FBG; residência ou programa não concluídos; e atuação fora do território nacional. Dessas exclusões, só a atuação fora do território nacional aparece nos cinco editais. A vedação expressa a trabalho voluntário está em SBH, SBCP, CBCD e FBG, mas não no Edital SOBED nº 2542, que em vez de listar situações vedadas delimita o que conta (itens f.3 e g.3). O restante muda de edital para edital.

A Hepatologia é a exceção explícita: o Edital SBH nº 2467, item g.2.3.1, aceita quatro anos de atuação em consultório particular, desde que a declaração seja endossada por dois membros titulares da SBH, no modelo do Anexo II.

No Edital CBCD nº 2530, a comprovação por atuação exige declaração de instituição hospitalar em papel timbrado, assinada pelo Diretor da Instituição e pelo Chefe do Serviço com RQE na especialidade, contendo a relação dos procedimentos cirúrgicos realizados pelo candidato como Cirurgião Responsável nos últimos 24 meses, conforme a Matriz de Competência da CNRM. Vale reforçar: nenhum terceiro pode declarar que um candidato é elegível — a verificação é documental, caso a caso, contra o texto do edital, antes da inscrição.

O cronograma do Edital nº 2530, marco a marco

MarcoData
Encerramento das inscrições02/10/26, 23h59
Confirmação da inscrição deferida09/10/26
Data-limite do envio dos documentos obrigatórios23/10/26, 17h
Aplicação da prova19/11/26, 14h
Divulgação do gabarito23/11/26
Limite de recurso do gabarito25/11/26
Lista dos aprovados na prova teórica29/01/27
Limite de envio da documentação da prova prática28/05/27
Resultado final25/06/27

Duas leituras saem daí. A primeira é que o prazo mais próximo não é o da inscrição, e sim o de 23 de outubro para o envio dos documentos obrigatórios — três semanas depois de fechar a inscrição, e é ele que decide se a candidatura se sustenta. A segunda é que a janela de quatro meses da segunda fase tem data conhecida: começa em 29 de janeiro de 2027, com a documentação da prova prática devida até 28 de maio de 2027 e resultado final em 25 de junho.

Síntese: o TECAD se planeja em dois horizontes, não em um

O calendário real do TECAD tem três marcos encadeados: 02 de outubro de 2026, quando fecha a inscrição; 19 de novembro de 2026, quando ocorre a primeira fase; e uma janela de até quatro meses após o resultado, dentro da qual a cirurgia da segunda fase precisa acontecer, com três avaliadores titulares do CBCD e autorização institucional formalizada.

Quem trata o TECAD como uma prova de um dia chega à segunda fase montando logística sob pressão de prazo. Quem o trata como um processo de dois horizontes chega ao resultado da primeira fase com a lista de intervenções pensada, os possíveis avaliadores mapeados e a conversa com a diretoria clínica já iniciada.

Se você é cirurgião geral, pretende prestar o TECAD em 2026 e ainda não fechou a inscrição até 02 de outubro nem desenhou a logística da segunda fase, uma preparação estruturada pelos eixos do conteúdo programático oficial do Edital nº 2530 e pelas exigências documentais das duas fases resolve o que está de fato em aberto: o que estudar, em que ordem, e o que precisa estar encaminhado antes de o resultado sair.

Fale com a equipe da APROMED para entender como o APROVAMED 360° organiza a preparação para a Cirurgia do Aparelho Digestivo e para conferir sua situação de elegibilidade contra o texto do edital.

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