As cinco provas de título do aparelho digestivo em 2026: calendário, formatos e cortes

Seis semanas, cinco bancas, cinco formatos diferentes — e uma única inscrição ainda aberta.

Entre 22 de setembro e 19 de novembro de 2026, cinco sociedades aplicam as provas que dao acesso ao Título de Especialista e ao Certificado de Area de Atuacao nas especialidades do aparelho digestivo: Coloproctologia, Hepatologia, Gastroenterologia, Endoscopia e Cirurgia do Aparelho Digestivo. Todas seguem a mesma moldura legal – Decreto n° 8.516/2015, Portaria CME 01/2016 e Resolução CFM n° 2.380/2024 – e em todas a AMB é quem certifica; a sociedade apenas executa o exame.

A semelhanca termina ai. Os cortes vao de 60% a 70%. Duas provas são presenciais e três são online. Uma tem banca oral no mesmo dia; outra exige uma cirurgia real meses depois. E quatro das cinco ja fecharam inscricão. Este texto reune, num só lugar, o que cada uma cobra – para quem já está inscrito organizar a reta final, e para quem vai prestar numa proxima edicão saber exatamente contra o que está se preparando.

O calendário até novembro

  • 22/09 — Prova de Coloproctologia · presencial, Expocentro de Balneário Camboriú/SC
  • 27/09 — Prova de Hepatologia · online, das 9h às 13h
  • 02/10 — Prova de Gastroenterologia · online, das 8h às 13h
  • 02/10 — Prova teórica de Endoscopia · online, das 18h às 22h
  • 02/10 — Encerram as inscrições do TECAD, às 23h59
  • 19/10 — Lista de aprovados na teórica de Endoscopia
  • 21/10 — Resultado de Hepatologia
  • 28/10 — Resultado final de Coloproctologia
  • 03 a 06/11 — Prova prático-oral de Endoscopia · presencial, São Paulo
  • 11/11 — Resultado de Endoscopia e resultado preliminar de Gastroenterologia
  • 19/11 — Prova de Cirurgia do Aparelho Digestivo · presencial, dentro do SBAD

Um detalhe que passa despercebido: em 2 de outubro, Gastroenterologia é de manhã e Endoscopia é à noite.
O mesmo candidato pode prestar as duas no mesmo dia — cinco horas de prova pela manhã, quatro horas à
noite.

Quatro alternativas em quatro dos cinco editais. Os cortes é que mudam

Quatro dos cinco editais declaram expressamente quatro alternativas por questão. O Edital CBCD nº 2530 não
especifica o número: descreve apenas 50 questões de múltipla escolha valendo 0,2 ponto cada. Nenhum deles
trabalha com cinco alternativas declaradas — o que altera a probabilidade de acerto ao acaso e a estratégia de
eliminação que se treina. O que varia é a barreira:

Prova Objetiva Corte da objetiva 
Endoscopia · SOBED nº 2542 120 questões, 4 horas 70% das questões válidas 
Coloproctologia · SBCP nº 2114 70 questões, 4 horas compõe média 7,0 com a oral 
Gastroenterologia · FBG nº 1364 75 questões 60%, eliminatório 
Hepatologia · SBH nº 2467 50 questões 70 pontos — 35 acertos em 50 
CAD · CBCD nº 2530 50 questões, 2 horas nota mínima 6 

O corte de Endoscopia é o mais alto do conjunto. E em Gastroenterologia e Hepatologia a objetiva é eliminatória em sentido estrito: quem não a ultrapassa não tem a segunda prova sequer corrigida.

A segunda fase é onde as provas realmente se separam

É aqui que a preparação deixa de ser intercambiável entre especialidades.


Endoscopia aplica uma prova prático-oral presencial em São Paulo, de 3 a 6 de novembro. O candidato realiza uma endoscopia alta ou uma colonoscopia, à sua escolha, seguida de arguição oral e análise de currículo. A nota vai a 10, dividida em 70% para o exame, 20% para a arguição e 10% para o currículo, com corte 7. Setenta por cento da nota, portanto, acontece enquanto o candidato examina.


Coloproctologia faz a oral no mesmo dia, às 13h, diante de banca examinadora ao vivo, com projeção de imagens e vídeos, discussão de casos, identificação de instrumentos e de tempos e manobras cirúrgicas. Ela tem peso 4 contra peso 6 da teórica: quarenta por cento da nota é o candidato falando.


Gastroenterologia aplica 15 questões discursivas, cada uma com dois subitens, com corte de 50% — no mesmo bloco de cinco horas da objetiva, mas corrigidas em sequência.


Hepatologia usa 5 casos clínicos, com até 4 questões cada, corrigidos contra padrão de resposta esperada. Peso 20% na nota final.


Cirurgia do Aparelho Digestivo tem a segunda fase mais singular do país: uma cirurgia real, realizada no hospital do próprio candidato, em até quatro meses da divulgação da primeira fase. O candidato indica três possíveis intervenções e três avaliadores — todos Membros Titulares do CBCD, adimplentes e sem parentesco com ele —, além de autorização do Diretor Clínico em papel timbrado, comunicada com três dias úteis de antecedência.


Na prática, isso significa que “estudar para prova de título” quer dizer cinco coisas diferentes. Treinar resolução de questões prepara para a primeira fase de todas; nenhuma das cinco segundas fases se resolve com isso.

O currículo entra na conta — mas nunca antes das provas

Em todas as cinco, a avaliação curricular tem peso menor e é a última etapa. Em Gastroenterologia vale até 10 pontos dos 60 necessários para aprovação; em Hepatologia, 10% da nota final; em CAD, peso 1 e caráter não eliminatório; em Endoscopia, 10% da nota da prática.

Menor não significa irrelevante. Quem passa raspando nos cortes das provas encontra no currículo a diferença entre aprovação e reprovação — e a documentação que pontua (residência, especialização, eventos científicos, publicações) precisa estar reunida antes, porque a análise só acontece depois das provas, num prazo curto.


Vale a leitura atenta de um ponto do Edital FBG nº 1364, item 9.4.2, literal: “Títulos e atividades relacionadas à cirurgia geral e cirurgia do aparelho digestivo e endoscopia não serão considerados para fins de pontuação em qualquer módulo do currículo.” Quem imagina que um título em CAD ou Endoscopia soma pontos no currículo do TEG está contando com algo que o edital exclui expressamente.

Duas presenciais, três online — e o que isso exige de cada uma

Hepatologia, Gastroenterologia e a teórica de Endoscopia são aplicadas online pela eduCAT, com fiscalização remota por vídeo e áudio. Isso traz exigências que reprovam antes da primeira questão: notebook próprio, requisitos mínimos de sistema e de conexão, e a participação obrigatória em pré-teste de ambientação — quem não faz o pré-teste no prazo não é autorizado a prestar o exame.


Há ainda regras de conduta que eliminam. O Edital SOBED nº 2542, no item 10.35, determina que o candidato permaneça duas horas na plataforma, sem encerrar a sessão e sem sair do campo de visão da webcam, mesmo tendo terminado antes. Sair antes elimina.


Coloproctologia e CAD são presenciais — em Balneário Camboriú e no SBAD, respectivamente. Passagem, hospedagem e deslocamento fazem parte do planejamento da prova, não são detalhe logístico.

Hepatologia é área de atuação, não especialidade

Distinção que muda o edital que se presta e o que se registra no CRM: entre as cinco verticais deste texto, a Hepatologia concede Certificado de Área de Atuação, e as outras quatro concedem Título de Especialista. Há um sexto edital no mesmo ciclo que muda esse quadro: o Edital SOBED nº 2549 concede Certificado de Área de Atuação em Endoscopia Digestiva, com inscrições de 10 a 20/08/2026 e prova teórica em 02/10/2026 às 18h — mesma data e horário da prova do título regida pelo Edital nº 2542. São, portanto, duas áreas de atuação no aparelho digestivo, não uma. É também a de entrada mais aberta — aceita Clínica Médica, Gastroenterologia ou Infectologia como pré-requisito, enquanto as demais são mais estritas.

Antes de tudo isso, vem a elegibilidade

É o filtro que reprova mais gente do que qualquer corte de prova, e o menos discutido. Todos os editais exigem dois pré-requisitos — uma especialidade-base e a especialidade-alvo. O número de vias de comprovação varia: SOBED, FBG, SBCP e CBCD admitem três — residência credenciada pela CNRM/MEC, programa de formação credenciado pela sociedade competente, ou atuação prático-profissional — ; a SBH admite duas em cada bloco.

Prova Especialidade-base aceita 
Endoscopia Cirurgia Geral e/ou Clínica Médica 
Coloproctologia Cirurgia Geral 
Cirurgia do Aparelho Digestivo Cirurgia Geral 
Gastroenterologia Clínica Médica 
Hepatologia Clínica Médica, Gastroenterologia ou Infectologia 

Três exigências derrubam a maior parte das candidaturas. O piso de 2.880 horas anuais aparece nos editais da SOBED, da FBG, da SBCP e do CBCD, com redação quase idêntica, e incide exclusivamente sobre a via do programa de formação credenciado. O Edital SBH nº 2467 não o prevê, porque não admite essa via. A segunda é a vaga oficial credenciada: em SOBED, FBG, SBCP e CBCD não basta o programa ser credenciado, o candidato precisa ter ocupado vaga oficial. A terceira é o que não conta como atuação. O Edital FBG nº 1364 é o que mais detalha o que não é aceito como atuação prático-profissional: trabalho voluntário; contrato de locação de sala ou consultório como prova de vínculo; docência ou exercício fora de ambiente hospitalar, clínica ou posto de saúde; regimes de sobreaviso; estágios e pós-graduação lato sensu não credenciados pela FBG; residência ou programa não concluídos; e atuação fora do território nacional. Dessas exclusões, só a atuação fora do território nacional aparece nos cinco editais. A vedação expressa a trabalho voluntário está em SBH, SBCP, CBCD e FBG, mas não no Edital SOBED nº 2542, que em vez de listar situações vedadas delimita o que conta (itens f.3 e g.3). O restante muda de edital para edital.


A Hepatologia é a exceção explícita: o Edital SBH nº 2467, item g.2.3.1, aceita quatro anos de atuação em consultório particular, desde que a declaração seja endossada por dois membros titulares da SBH, no modelo do Anexo II.


E a comprovação é pesada, com exigências que mudam por edital. No Edital FBG nº 1364, ela exige declaração no modelo do Anexo II, com firma reconhecida em cartório ou assinatura ICP-Brasil; comprovação de vínculo (CTPS, contrato, contracheques, CNES, DOU ou certidão de tempo de serviço); alvará sanitário ou Certificado de Regularidade de Pessoa Jurídica da instituição declarante; e, em instituição privada, prova de que o candidato não integra seu quadro societário.

Uma coisa que não muda depois

O título, uma vez obtido, não vence. A Resolução CFM nº 1.984/2012 revogou a Resolução CFM nº 1.772/2005 e, com ela, o Certificado de Atualização Profissional e a revalidação quinquenal — não há prazo de validade, não há reciclagem compulsória. É uma conquista definitiva, e essa é a razão pela qual o esforço de um ciclo se paga pelo resto da carreira.

O que fica

Cinco provas, cinco formatos, cinco segundas fases distintas — e um único conjunto de regras de elegibilidade que decide, antes de qualquer estudo, quem sequer pode se inscrever. Para quem já está inscrito, o que resta é a reta final contra o conteúdo programático oficial de cada edital. Para quem ainda não está, a decisão começa muito antes do cronograma de estudo: começa em conferir, documento por documento, qual via de pré requisito se aplica ao seu caso.


Das cinco provas de 2026, apenas o TECAD ainda aceita inscrição — até 2 de outubro, às 23h59. Para as demais, o ciclo de 2027 começa a ser decidido agora, e quem organiza pré-requisito, documentação de currículo e cronograma alinhado ao conteúdo programático oficial chega na próxima edição sem correr atrás do edital.


Fale com a equipe da APROMED e veja qual preparação corresponde à sua vertical e ao seu momento.

Você pode se interessar

Como se preparar com segurança para o TECAD e conquistar o seu RQE em Cirurgia do Aparelho Digestivo

31/10/2025

Curso de atualização avançada em endoscopia, onde encontrar?

31/10/2025

Onde encontrar um curso preparatório para prova de especialista em gastroenterologia?

23/09/2024